Paz e Luz
Em um tempo onde só o tempo contava o tempo, existiam
dois seres: a Luz e a Paz, completamente apaixonados um pelo outro. Seu amor
ultrapassava todas as barreiras, um amor tão grande que nem o próprio tempo
intervinha. Mas amores assim não passam despercebidos, pelo menos não pela
Escuridão, que morria de ciúmes e inveja.
Era uma inveja tão grande que, cada vez que via os
dois juntos, seu ódio só aumentava. Então, no auge de sua cólera, lançou uma
maldição sobre os enamorados — a Escuridão interveio.
Ele se pôs entre a Paz e a Luz, mas com isso provocou
a guerra.
As lágrimas da Paz invadiram todos os mundos, a ira da
Luz trouxe distúrbio aos corações de todos os seres. O sofrimento tomou conta
de tudo, e nem mais o tempo conseguia contar o tempo.
A Lua, que era conselheira e confidente da Luz,
entristecida com o amor destruído, tomou uma decisão, contrariando a Escuridão,
que afinal também era sua leal companheira:
“Eu vou ajudá-los, não consigo mais ver tanta dor. Os
mares estão revoltados, as estrelas perambulam sem rumo, o equilíbrio foi
alterado...”
Revirando mundos e destinos, a Deusa Lua encontrou um
lugar perfeito para os amantes. Eles foram enviados para a Terra, um mundo
ainda quase inexplorado, onde florestas, bosques e animais viviam em harmonia.
Agora em formas humanas, conheceram o toque, o cheiro
um do outro. Era uma nova experiência que irradiava entre eles. Juras de amor
mais uma vez foram trocadas, e o equilíbrio foi restaurado.
Mas, infelizmente, esse equilíbrio durou pouco tempo.
A Escuridão descobriu o esconderijo dos amantes, foi atrás e mais uma vez os
separou. Lançou o seu ódio: agora a Luz era prometida ao Deus Sol, e a Paz se
refugiou no brilho da Deusa Lua.
E mais uma vez o sofrimento da Paz e da Luz foi
sentido por todos. A ira da Luz trouxe novamente o desequilíbrio, guerras de
eras atrás vieram à tona. As lágrimas da Paz não tinham fim, e com elas as
tormentas eram invocadas.
O tempo, mais uma vez, não conseguia contar o tempo.
Tudo se afundou na mais longa tristeza, e a Escuridão
reinou soberana sobre o amor — assim prevaleceu por eras...
Netuno, Deus dos Mares, junto com a Deusa Lua,
cansados das tormentas, resolveram mais uma vez desafiar a Escuridão e uniram a
Paz à Luz. Mas, como ainda corriam o risco de trazer à tona a fúria da
Escuridão, fizeram um acordo.
Os amantes poderiam se encontrar apenas uma vez a cada
ano daquela Terra. Então, os deuses das florestas decretaram que, no primeiro
dia de cada primavera, o amor reinaria entre os amantes. Eles poderiam passar
um dia inteiro juntos, do nascer do sol até o nascer da lua — assim, nem a
Escuridão poderia intervir.
E assim foi feito. Depois de séculos separados, a Luz
finalmente encontrou a Paz...

Comentários
Postar um comentário