Estrada para o Sanatório
Com tantos consultores, meu chefe manda logo eu atravessar a cidade para atender um cliente, ainda mais em véspera de feriado. Poxa, é Halloween! – Pamela, lamentava muito sobre a sua falta de sorte. - Meu feriado preferido e eu aqui dirigindo para um fim de mundo. E essa chuva que não passa!
Mesmo para uma véspera de feriado a estrada estava deserta, já era quase meia noite quando a rádio sai da sintonia. A jovem se distraiu tentando sintonizar novamente a sua única companhia. Quando ela olha pra frente, vê uma mulher vestida de
branco, com o susto, Pamela freia o carro de uma vez, com pista molhada ela derrapa e gira duas vezes, parando o carro na direção exata que ela havia visto a mulher de branco.
Ela sai do carro sentido uma forte dor no pescoço e no tornozelo direito. Ela olhou para todos os lados, gritou e ninguém, não tinha uma só viva alma ali perto.
- Mas será que estou vendo coisas? – Falou Pamela para si mesma. – Não estou tão cansada assim para ficar tendo alucinações.
Percebendo que tudo não passou fruto da sua imaginação a jovem volta para o carro e tenta ligá-lo. Bate a chave duas vezes na ignição e tudo que consegue é um rosnar do motor.
- Mas que merda! Agora estou no meio do nada com um carro que não funciona. Maldito carro velho. – Com o celular sem bateria, era impossível chamar por ajuda. – Ótimo! Era tudo que eu precisava. – Com a cabeça, sobre o volante quase as lagrimas, Pamela percebe a luz dos faróis de um carro vindo em sua direção.
– Graças a deus estou salva. – Pensou ela.
Ela sai do carro igual uma desesperada, acenando para o carro parar.
- Algum problema, moça? Posso ajudá-la? – Era como ouvir uma, doce melodia.
- Se você tiver um celular para me emprestar, seria maravilhoso, eu quase atropelei uma moça e agora meu carro não pega.
- Uma moça?
- Sim! Ela estava vestida de branco, apareceu do nada, com os braços esticados em minha direção. Levei um baita susto.
- Entendo minha jovem, mas não tenho celular, mas, posso lhe oferecer uma carona. – Minha jovem? E quem em pleno século XXI mão tem celular. De que filme pré-histórico, saiu esse homem? Pensou Pamela, contudo no momento ela não podia recusar ajuda.
- Carona?
- Sim! A 10 km daqui tem um posto de gasolina, e lá tenho certeza de que tem um telefone para que você possa chamar ajuda. – Ela assistia telejornais e sabia que era perigoso, mas estava chovendo forte, ela tinha duas opções aceitar a carona de um desconhecido, ou ficar ali até amanhecer e andar os 10 km.
Enquanto analisava as possibilidades, um raio cortou os céus, era como se fosse partir o mundo ao meio. O clarão foi tão forte que foi possível ver as copas das árvores tremular com a força do vento.
- Então moça? Aceita a minha carona?
- Aceito, sim, só vou pegar as minhas coisas.
Gentilmente o nobre cavaleiro sede o banco de trás para a moça, afinal ela estava encharcada da chuva. E no banco da frente estava acomodada a sua gata de estimação. E Pamela aprendeu que não se brinca com a relação de um homem com o seu gato.
O carro era um modelo antigo, provavelmente da década de 1950, ela não sabia precisar a marca, mas com certeza não, era qualquer um que poderia ter um modelo daqueles. Os bancos eram de couro branco, confortáveis e quentinhos. Os detalhes de madeira davam um ar de sofisticação, havia até um porta copos. Para onde o gentil senhor apontou informando que no compartimento um pouco abaixo do copo, tinha uma garrafa de whisky que ela poderia beber para se aquecer. Sem ao menos pensar no que poderia acontecer, ela se serve de uma boa dose do líquido e vira de uma vez só, seu corpo queimava por dentro, de uma forma que a faz se sentir aquecida e vida. Entusiasmada de beber uma bebida cara como aquela, ela se serve novamente e mais uma vez vira o copo.
Pelo retrovisor era possível perceber a cara de satisfação do anfitrião. Só agora que ela repara no semblante daquele homem e percebe que sua pela era tão branca que chegava a ser cadavérica. Seus olhos negros brilhavam cada vez que um raio rasgava os céus, suas roupas pareciam que tinham saído de um filme de época. Seus lábios finos, esboçava um sorriso que Pamela não conseguia decifrar, mas fez seu sangue congelar de medo. Um arrepio passou por sua nuca, sua visão começou a ficar turva, tarde de mais ela percebia que fez besteira em tomar dois copos de whisky daquela maneira.
Seu corpo ficou mole e cai de lado sobre o banco, a última coisa que ouviu foi a risada fria e sem vida de seu motorista a fazendo se odiar por entrar naquele carro do inferno.
Quando ela acordou, estava em uma camisa de força, assustada a jovem começa a se debater. Com um certo esforço ela se senta para ver os olhos de seu algoz pelo retrovisor, que se mostrou passivou ao observar a expressão de terror no rosto da jovem, era quase como se estivesse se divertindo com a situação. Pamela, não sabia dizer por quanto tempo ficou apagada, mas ainda parecia ser noite, pois não era possível ver mais do que os faróis do carro iluminavam.
Em vão ela tenta gritar, era como se estivesse drogada, com certeza tinha mais do que uma alta dosagem de álcool em sua bebida, que tolamente bebeu.
Ainda aterrorizada com tudo que estava acontecendo, grossas lagrimas escorrem pelo seu rosto, mesmo com os olhos embaçados ela força a visão pela janela do carro, mas devido à escuridão total, tudo que ela vê é o reflexo do medo estampado em seu rosto, junto a uma maquiagem muito borrada.
Do lado de fora tudo que era possível perceber era o ruído forte da chuva batendo contra a lataria do carro, que acabava por abafar a melodia melancólica que vinha do rádio.
Pelo rodar macio do carro parecia que ainda estava em uma estrada asfaltada, então podia se concluir que ainda estava na estrada principal, já que antes de parar naquela confusão, Pamela tinha reparado que as estradas secundarias eram de terra ou de pedras.
Quando olha novamente pelo retrovisor, ela percebe que era observada e mesmo sem ter certeza se conseguiria falar.
- Quem é você?
- Você acordou, Pamela. Fico feliz que esteja com a energia revigorada. Agora aproveite a viagem, logo chegara ao seu destino. - Pamela não se recordava de ter dito seu nome a ele.
Sua mente ainda estava turva e aquela camisa de força, estava a sufocando, era como se mais se debatia mais apertado ficava, lhe roubava o ar, porém desmaiar novamente não era uma opção. Ela precisava pensar rápido para sair daquela situação.
Mas uma vez ela tenta arrancar uma explicação daquele sujeito;
- Para onde você está me levando? Quem é você? Eu quero sair daqui. – Seu choro agora era de súplicas, ela não queria morrer, não ali pelo menos, entre um implorar e outro, os soluços eram inevitáveis. Desesperada ela chuta o banco da frente, que nem se mexe e o homem dava gargalhas de prazer em ver o sofrimento da jovem, pelo espelho era possível ver seus dentes serrilhados e afiados, como de um predador. Ele brincava com sua mente, do mesmo modo que a gatinha no banco da frente brincava com seu novelo de lã.
Quanto mais ela gritava, mas ele ria emas o carro pegava velocidade, passando direto pelos buracos da via, que a fazia bater a cabeça no teto do carro e sacolejar de um lado para o outro. Em uma dessas ela bate a testa no vidro da porta que a faz sangrar.
- Por favor me solte, deixe eu sair daqui. Eu juro que não vou contar para ninguém.
- Calma minha querida, logo chegara ao seu destino.
- Pare de falar isso, seu escroto do inferno… Pare esse maldito carro, que eu quero descer.
- Só quando chegar ao seu destino.
- Por favor em imploro, deixe-me ir.
- Não se preocupe já estamos chegando.
Em meio aos raios, Pamela teve um deslumbre do que estava lá fora e parecia que ao longe tinha uma luz vindo de uma casa do lado direito. Quando o homem bruscamente vira o carro em direção a possível casa., que a faz tombar sobre o banco a fazendo experimentar o gosto de seu próprio sangue.
Então foi nesse momento que ela deita de costa contra o banco e chuta com toda força a janela do veículo, ela chuta uma, duas, três vezes, mas ele não cede.
- Poupe seus esforços, minha jovem, você nunca sairá desse carro, não antes de chegar ao seu destino.
- Cala a boca seu merda. Eu não vou morrer aqui! – Ainda deitada ela contorce o corpo e dá um chute na cabeça dele, o fazendo perder o controle do carro e derrapar na lama.
- O que pensa que está fazendo? É assim que agradece a gentileza que lhe ofertei, não percebe que estou tentando te salvar. – Ele estava tão perto do rosto da jovem que era possível sentir o fedor podre de seu hálito.
- Vai para o inferno, seu maldito!
- Nós já estamos nele, minha querida! – Aquela frase fez com que Pamela ficasse paralisada.
Já de volta a direção, os dois segue o seu caminho. Sem coragem para se levantar Pamela, apenas preta atenção nos sons que vinha de fora do carro. A lama batendo na parte inferior do automóvel, um pulo ou outro por passar nos buracos, as pedrinhas batendo no assoalho.
- Como prometido, chegamos!
Aos poucos Pamela se senta, com o rosto coberto de sangue e a visão turma de tanto chorar, ela não consegue distinguir exatamente que estrutura era aquela, e a luz que ficava cada vez mais forte ofuscava tudo a sua frente.
Quanto mais perto chegava da luz, mas ele acelerava, era como se fossem entrar naquele globo luminoso. Pamela, aos poucos se entregava a luz, era uma paz que ela não sabia explicar, era reconfortante. quando uma voz ao longe grita pelo seu nome, ela não sabia exatamente de onde vinha, mas tinha urgência na voz, mais uma vez e mais forte a voz a grita, agora acompanhado de uma dor insuportável em seu peito, que a faz fechar os olhos. Quando ela os abre novamente ela vê um rosto sorridente olhando para ela.
- Ela voltou galera, já pode ser transportada para o hospital. – Sem entender absolutamente nada, ela olha em volta e vê a luz da sirene da ambulância, ela presa pelos cintos da maca e ao lado, alguns metros de distância seu carro com a frente destruída e ao lado ela pode ver o brilho dos olhos negros a observando.

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